A Importância da Alimentação das Crianças


 A importância de uma alimentação saudável deve começar em casa para garantir a saúde das crianças hoje e amanhã.

Alimentação das crianças"Uma boa educação começa em casa." "Costume de casa vai à praça." Essas são máximas populares que servem para explicar uma série de comportamentos de todos nós1. Por que, então, não usá-las na nossa ali­mentação? Ou melhor ainda, por que não aplicá-las à alimentação das crianças de casa?

Afinal, com o passar dos anos, a vida foi ficando cada vez mais corrida e o tempo mais curto para prepararmos nossos alimentos. Ou seja, aquela alimentação saudável, natural e balanceada é hoje privilégio de poucos.

A consequência desse quadro é clara: as dietas pobres em nutrientes essenciais e ricas em gorduras – fastfood ou junk food – têm ampliado o índice de obesidade e o número de doenças cardíacas na população.

Logo, buscar esse equilíbrio desde cedo e em casa pode ser fundamental para o costume de se alimentar bem. Sem contar que trará benefícios imediatos para a boa saúde de uma criança. É papel dos pais estimularem seus filhos a comerem alimentos nutritivos em quantidades adequadas para a idade e incentivarem a prática de atividade física.

Para tentar ajudar na descoberta de uma nutrição infan­til mais adequada, a Revista Forever traz uma série de dicas e recomendações para que "uma boa alimentação comece em casa".

ALIMENTAÇÃO DO BEBÊ
Depois dos seis meses, por exemplo, a mãe já pode começar a dar as papinhas, além do aleitamento materno {veja re­ceita na página 10). Até os três anos de idade, não podem faltar as vitaminas A e C na dieta da criança. Onde encontrar esses elementos? Fácil. A vitamina A está presente em legumes, frutas e verduras, como cenoura, mamão, melão e espina­fre. E é fundamental para o crescimento e importante para a visão.

Já a vitamina C é encontrada em frutas, como laranja, acerola, morango e limão, e em verduras, como tomate, brócolis e repolho. Ela ajuda no desenvolvimento de ossos e dentes e deve ser reposta diaria­mente, pois o organismo não a armazena.

Também é interessante incluir o cálcio nessa dieta, principalmente após o alei­tamento materno. Presente no leite e seus derivados e nos vegetais verdes-escuros, como agrião, couve e brócolis, ele é importante na formação de dentes e ossos e ajuda no bom funcionamento de coração, músculos e nervos.

ARROZ COM FEIJÃO
Para fixar o cálcio no corpo, a vita­mina B, encontrada em arroz, verduras verdes-escuras, fígado de galinha e bovino, também ajuda. Aliás, essa vi­tamina também estimula o apetite e ajuda na digestão das crianças.

Depois do primeiro ano, o ferro, presente no feijão, na batata e nas carnes magras, também deve ser incluído. Ou seja, já se pode começar a alimentar o bebê com arroz e feijão. O ferro evita que a criança fique propensa a uma anemia, já que é fundamental para a formação da hemoglobina (pigmento dos glóbulos vermelhos que fixa e transporta oxigê­nio) e na função respiratória. Nesses primeiros anos de vida, o importante é alimentar o bebê a cada quatro horas.

MIX ANIMAL E VEGETAL
Depois dos três anos, essa dieta pode variar muito de acordo com a idade, local de moradia, condições de saúde e até clima, hábitos e humores dessa criança. O importante é lembrar que as gorduras devem ser evitadas e que uma refeição infantil recomendada deve unir proteína (peixes, carnes magras, aves sem pele, ovos…) com carboidratos (ar­roz, batata, massas, feijão…).
Na prática, deve conter alimentos de origem animal e vegetal. Pode incluir também cereais integrais (pães inte­grais, aveia…), frutas e hortaliças va­riadas e laticínios.

"E devem-se evitar alimentos mais caló­ricos e pouco nutritivos, como frituras, carnes gordas, doces, biscoitos, salgadi­nhos e refrigerantes", lembra o pediatra e endocrinologista Dr. Michel Sader, especialista em nutrição infantil.

Não se esqueça também dos líquidos (água, leite e suco, dando preferência aos naturais e feitos na hora). A água é essencial para manter a pele ma­cia e o bom funcionamento dos rins, além de hidratar as crianças.

A essa altura você deve estar se per­guntando: mas e se a criança se recusar a comer? A resposta dos especialistas é simples e direta: é fundamental es­tabelecer uma disciplina de hábitos e horário das refeições, sem "belisquetes" ocasionais. "0 ideal é que a criança coma em ambiente tranquilo, sem TV ou algo que tire sua atenção", ensina Dr. Michel.

ESQUEÇA O AVIÃOZINHO
E como fazer para incluir novos alimentos no cardápio? Para evitar "rejeições", você deve, por exemplo, adicionar novos alimentos de forma gradual. Na primeira vez, dê uma provi­nha com o dedo ou com uma pequena colher para a criança ir-se acostumando, e você, gradativamente, vai aumentando a porção. "Mas não use aquele ‘aviãozinho’, que pode deixar a criança nervosa", acrescenta o pediatra.

Essas dicas valem tanto para os pequenos que não são muito chegados a comer como para os mais, digamos, "glutões". Afinal, é sempre bom nunca esquecer que comer bem não significa comer muito {veja quadros nas páginas seguintes). Aliás, o exagero nas refeições infantis, ao lado das dietas de­sequilibradas e ricas em gordura, é a razão do crescimento constante dos temidos índices de obesidade infantil.

Hoje, no Brasil, enquanto a anemia atinge grande parte de nossas crianças, a obesidade infantil também vem crescendo. Segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/ IBGE), realizada em 2003 pelo Ministério da Saúde, 16,7% dos adolescentes entre 10 e 19 anos têm excesso de peso, e destes, 2,3% obesidade. O problema é mundial. A Organiza­ção Mundial de Saúde (OMS) estima que a obesidade atinge mais de 22 milhões de crianças com menos de cinco anos em todo o mundo. Os índices alarmantes são explicados pela mudança de hábitos alimentares com o aumento no consumo de alimentos industrializados, e pelo fato de as brincadeiras de rua – que geravam gastos de energia – terem sido substi­tuídas por TV, videogames e computador.

ALIMENTAÇÃO DO BEBÊ
A obesidade infantil traz consequências negativas à saúde da criança e do adolescente, podendo gerar problemas como hiper­tensão, diabetes, apneia do sono, problemas ortopédicos, entre outros. Sem contar a depressão e a diminuição da autoestima.
Logo, uma alimentação equilibrada desde cedo é funda­mental para que se evitem futuros problemas. E, claro, influenciarão até nos hábitos alimentares de nossas crianças quando elas virarem adultas.

Vale lembrar que o aumento de peso das crianças eleva o risco de uma população adulta obesa e o aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis. "O obeso infantil de hoje é o obeso adulto de amanhã", conclui o Dr. Sader.

Sugestões de cardápio

Para menores de 2 anos:

PAPINHA DO BEBÊ
-  1/2 litro da água
- 100 g de músculo, fígado ou frango
- 1 colher de arroz
- beterraba, cenoura, chuchu, abóbora e batata
- manteiga
- sal

Bata tudo no liqüidificador, em seguida ferva durante 40 minutos e sirva à criança.

Para maiores de 2 anos:

CAFE DA MANHA:
- leite com cereais e frutas pi< LANCHE DA MANHÃ:
- leite fermentado e torradas com margarina, requeijão ou geleia

ALMOÇO:
- salada de tomate, beterraba, vagem e folhas verdes
- arroz, feijão e filé de carne grelhado
- sorvete de frutas

LANCHE DA TARDE:
- gelatina fruta

JANTAR:
- sopa de legumes com frango desfiado e torradas/croutons
- suco de frutas

CEIA:
- leite

As quantidades de cada alimento deverão ser estipuladas de acordo com a faixa etária de cada criança.

 

* A partir dos 6 anos de idade, a avaliação é feita pelo Índice de Massa Corporal (IMC). O cálculo é feito da seguinte maneira:

IMC = peso(kg) / altura x altura (m)

Fonte: Livro Crescendo com Saúde, de Maria Luíza de Brito Ctenas

Matéria extraída da revista Forever Brasil

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5 comentários até agora

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Rafael Siqueira Cruz, Rafael Siqueira Cruz. Rafael Siqueira Cruz said: [Mais Saude] A Importância da Alimentação das Crianças http://bit.ly/4EsZV1 [...]

  2. A orientação para liquidificar os alimentos para as crianças não é atualizada atualemte não se recomenda liqudificar

  3. É mesmo Rosanete? E por que não recomenda-se liquidificar?

  4. [...] Veja também A Importância da Alimentação das Crianças [...]

  5. Não recomenda-se liquidificar porque é necessário desde a idade de bebe estimular o processo da mastigação.Inicialmente passa-se na peneira,depois amassado até chegar à idade de 1 ano e poder oferecer em pequenos pedaços bem cozidos.Com este trabalho voc~e estimula oa músculos da face e mandíbula.Com isto favorece o desenvolvimento da fala.Patricia Grantham Nutricionista infantil

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