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Como Fazer o Suco de Babosa

Recebo toda semana dezenas de e-mails de pessoas perguntando como fazer o suco de babosa. Então decidi escrever um artigo sobre isso para esclarecer todas as dúvidas a cerca deste assunto.

 

Suco de Babosa

 

O interesse pelo suco de babosa cresce a medida que novas informações são publicadas a respeito desta magnífica planta (também conhecida por aloe vera). Ela possui dezenas de características, dentre as principais são: antinflamatória, cicatrizante, levemente anestésica, desintoxicante, fungicida, bactericida, viriscida, regeneradora celular etc.

Os artigos mais populares no Mais Saúde são justamente aqueles cujo tema principal é a babosa, como o “Como Limpar o seu Intestino sem Sofrimento”, "Como Acabar com a Gastrite e a Úlcera" e "Protetor Solar: Qual o Melhor?".

Então vamos lá. Como fazer este suco?
A menos que você seja um especialista em babosa, eu não aconselho que você faça o suco de forma caseira. Por vários motivos:

 

Existem centenas de espécies de babosa no mundo
Você pode estar pensando: Vou pegar uma folha de babosa do meu quintal e fazer este suco milagroso!
Não faça isso! Você sabia que existem mais de 400 espécies de babosa no planeta? E destas mais de 400 espécies, apenas 4 (4!!!) podem ser ingeridas por nós sem risco de intoxicação? Então, como percebe, se você não sabe que espécie você tem no quintal, as suas chances de se intoxicar com a babosa são gigantescas!

Aloe barbadensis miller é a espécie ideal
Ok, entendi. Então qual é a espécie ideal para fazer o suco? A aloe barbadensis miller é a espécie de babosa que, além de não intoxicar o organismo, é a que apresenta o maior valor nutricional e que tem mais propriedades terapêuticas de todas as outras.

 

Processo de Estabilização
Ah agora entendo tudo! Então se eu encontrar esta espécie de babosa, posso fazer o suco com tranquilidade!
Não é por aí. Tem mais uma coisa que você precisa saber. O gel da babosa (de onde sai o suco) é altamente oxidativo e não pode receber iluminação. Se você não tiver um aparato adequado, no momento que você corta a folha pra extrair o gel da babosa, ela vai oxidar e você vai perder 80% dos seus componentes terapêuticos. E o suco vai perder totalmente a sua eficácia. Para evitar isso, existem os processos de estabilização, que evitam a oxidação e conservam suas características por um determinado tempo.

 

O problema é que todas as empresas que comercializam este suco (exceto uma) utilizam processos artificiais (químicos). Resolve o problema da estabilização? Certamente. No entanto a química usada acaba inibindo algumas propriedades da babosa, impedindo que o suco seja  100% aproveitado.

 

O ideal, e já que estamos falando de mais saúde, é que a estabilização seja natural, conservando TODOS os benefícios da babosa e sem agredir o seu organismo. Se você quer  consumir química, então visite uma farmácia e compre remédios, certo?

 

Queremos qualidade de vida, queremos viver sem agredir nosso organismo. A única empresa que tenho notícia que comercializa um suco de babosa com estabilização natural e respeitando todos esses processos acima citados (inclusive usando a espécie barbadensis miller) é a norte-americana Aloe vera of America (conhecida no Brasil como Forever Living).

 

Ela é a única empresa a receber o selo internacional de qualidade Aloe Certificate, que atesta a qualidade do produto e da matéria-prima usada (babosa) e do selo islâmico, que atesta a ausência de qualquer tipo de química em seus produtos, ou seja, é tudo totalmente orgânico. Para nossa sorte, é possível encontrar este suco em qualquer lugar do Brasil.

 

Portanto, só faça o suco de forma caseira se você TIVER CERTEZA do que está fazendo e tiver condições de extrair a máxima qualidade que a babosa te oferece. O mesmo vale para os sucos de babosa comercializados por aí. Tenha certeza que eles atendem mas medidas de qualidade citadas neste artigo e se possuem estabilização natural.

 

Qualquer dúvida que você ainda tenha sobre este assunto, favor escrever para o Mais Saude: rafael@maissaude.org

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Anvisa Regulamenta uso de Plantas Medicinais

O RJ TV da TV Globo trouxe uma importante notícia sobre a regulamentação do uso das plantas medicinais. Confira na matéria:

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Saiba Como Queimar Gorduras de Verdade

Olá! Quem vos escreve é Rodrigo Polesso. Sou autor do site Emagrecer de Vez, um site que se propõe a mostrar a verdade nua, crua e clara sobre emagrecimento, gratuitamente. Escrevo hoje este artigo especial para o Mais Saúde.

 

Saiba como queimar gorduras

 

Bom, nada de balela, apenas a verdade nua, crua e clara! Hoje quero compartilhar com você este conhecimento que ainda não é muito difundido. Conhecimento este que pode ser o fator decisivo na conquista do corpo que você sonha.

Vamos lá! Você tem amigos ou conhecidos que correm diariamente ou fazem caminhadas e parecem que continuam fora de forma mesmo assim? Por mais que eles se gabem de estarem mantendo uma rotina super ativa de exercícios, você não vê mudanças em suas formas físicas? Pois é, existem várias razões bastante fortes que justificam isso.

 

Ouvimos falar em todos os lugares que a prática de exercícios aeróbicos (corrida, caminhada, etc) é o que é necessário para queima de gordura. Bom, não exatamente. De forma simplificada (veja mais detalhes no mini ebook), o exercício aeróbico fortifica pulmões e coração, fazendo com que você adquira mais resistência ao longo do tempo, além de outros benefícios relacionados a saúde em geral.

 

Porém, quando objetivamos QUEIMA de gordura eficiente e consistente a longo prazo, o exercício aeróbico NÃO é a melhor saída. Nosso corpo é extremamente adaptável! Resultado disso, é que ele irá se adaptar à prática destes exercícios aeróbicos. Quando isso acontece, o corpo começa a gastar melhor a energia, ou seja, começa a gastar MENOS energia para executar o mesmo exercício, desta forma, com o tempo, você mesmo correndo, caminhando, todo o santo dia,  começará a notar que você não mais esta mudando sua forma física, ou seja, não mais está perdendo gordura.

 

A alternativa é o exercício ANAeróbico. Simplesmente falando, é uma série de exercícios de alta intensidade praticados em intervalos, totalizando um tempo MENOR por sessão, ao compararmos com o exercício aeróbico. O exercício anaeróbico (também chamado de Interval training ou HIIT (High Intensity Interval Training) tira proveito do efeito de pós-queima. O que é isso? Simples, após a prática do HIIT, seu corpo irá queimar gorduras, ou seja, irá precisar de calorias, horas e horas APÓS o término do exercício. Isto significa que mesmo após você ter completado a sessão e estar sentado vendo TV, seu corpo estará queimando calorias adicionais necessárias para restabelecer o equilíbrio (homeostase) que foi abalado durante a sessão de exercícios.

 

Este é o método de queima de gordura mais recomendado e com os melhores resultados possíveis. Várias pesquisas científicas já foram feitas e vêm se provando que os praticantes de HIIT queimam, no total, mais calorias durante o dia, mesmo se exercitando por menos tempo. Os exercícios, por outro lado, têm maior intensidade do que os exercícios aeróbicos.

 

Uma sessão típica de HIIT é como o exemplo a seguir:

 

Escolha um exercício de sua preferência (bicicleta, corrida, subida, escada, etc).

- Aquecimento (5 min)
- Alta intensidade, de 90% a 100% de sua capacidade durante (de 30 seg  a 60 seg)
- Baixa ou moderada intensidade, até recuperar o fôlego e conseguir conversar normalmente (de 45s até 120s)
- Alta intensidade, de 90% a 100% de sua capacidade durante (de 30 seg  a 60 seg)
- Baixa ou moderada intensidade, até recuperar o fôlego e conseguir conversar normalmente (de 45s até 120s)
- Alta intensidade, de 90% a 100% de sua capacidade durante (de 30 seg  a 60 seg)
- Baixa ou moderada intensidade, até recuperar o fôlego e conseguir conversar normalmente (de 45s até 120s)
- Alta intensidade, de 90% a 100% de sua capacidade durante (de 30 seg  a 60 seg)
- Baixa ou moderada intensidade, até recuperar o fôlego e conseguir conversar normalmente (de 45s até 120s)
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- Desaquecimento, caminhada leve (5 min)

Agora você já tem uma idéia geral sobre o que é uma sessão de treino intervalado de alta intensidade e seus benefícios. E eu tenho uma grande surpresa pra você: Eu preparei exclusivamente para você, leitor do Mais Saúde, um e-book completo sobre queima de gordura através de exercícios anaeróbicos, Você verá tudo em mais detalhes, com mais explicações, dicas e tudo mais! De um salto a frente na busca do corpo que você sonha e invista em conhecimento de qualidade!

 

Download do E-book:

http://migre.me/N3jp

 

Para conhecer a verdade sobre emagrecimento, gratuitamente, visite o www.EmagrecerDeVez.com.

Um abraço,
Rodrigo

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Brasileiro de 108 anos vira Consultor de Nutrição nos EUA

 

La Pallo - 108 anosQual a fórmula para se ter uma vida longa, com saúde? Talvez um bom conselho venha de quem chegou lá. Nossos repórteres encontraram no Arizona, nos Estados Unidos, um brasileiro de 108 anos. Por causa da boa forma, Bernando La-Pallo virou consultor de nutrição e dá receitas de longevidade.

ilho de um brasileiro e uma americana, seu Bernardo deixou Vitória, no Espírito Santo, ainda criança, pra morar em Nova York.

Eu me lembro de tudo, desde quando o Titanic afundou até os dias de hoje e olha que ele afundou em 1912", conta.

Ser brasileiro ajudou muito na época em que o racismo era mais forte nos Estados Unidos. Ele lembra de uma vez em que foi proibido de entrar numa praia por ser negro, e acabou conseguindo convencer o policial de que era sulamericano, por isso tinha direito de mergulhar.

“Ele me perguntou, e onde você é? Eu disse: Brasil. Ele disse: onde é isso? Você está me dizendo que não sabe onde é o quinto maior país do mundo? Acho que vou voltar pro meu navio e ele deixou”, relembra.

Hoje seu Bernando é consultor de nutrição. Dá palestras e escreveu dois livros sobre como viver bem.

O principal segredo da longevidade, ele diz que é a alimentação. Que segredo é esse. O que você come?

“Eu vivo à base de frutas, vegetais e suco e algum peixe, não como carne”, fala.

O que você come, eu pergunto. Eu vivo à base de frutas, vegetais e suco. Às vezes como um pouco de peixe. “Carne vermelha, nunca".

O tal suco é uma mistura verde, de maçã, couve e ervas. Tem ainda uma sopa de cevada com cereais. Ele também caminha todos os dias.

"É o exercício mais barato que existe e faz muito bem. Caminhei minha vida inteira, é o exercício mais barato que existe e é bom para você”, avisa.

eu Bernando diz que nunca teve uma gripe nem precisou tomar remédios.

Creme anti-rugas?

Ele prefere azeite extra-virgem, que esfrega na pele pelo menos duas vezes por dia!

O próximo desafio é voltar a falar português, que ele esqueceu depois de mais de 100 anos morando nos Estados Unidos.

Quando dizem que ele está velho demais pra isso, o bom humor vai embora.

"Bobagem! Ah, isso não é verdade", responde.

Alguém duvida?

Fonte: Jornal Hoje

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Vendedores de Doenças

Vendedores de Doenças

Há cerca de trinta anos, o dirigente de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo fez declarações muito claras. Na época, perto da aposentadoria, o dinâmico diretor da Merck, Henry Gadsden, revelou à revista Fortune seu desespero por ver o mercado potencial de sua empresa confinado somente às doenças. Explicando preferiria ver a Merck transformada numa espécie de Wringley’s – fabricante e distribuidor de gomas de mascar –, Gadsden declarou que sonhava, havia muito tempo, produzir medicamentos destinados às… pessoas saudáveis. Porque, assim, a Merck teria a possibilidade de “vender para todo mundo”. Três décadas depois, o sonho entusiasta de Gadsden tornou-se realidade.

As estratégias de marketing das maiores empresas farmacêuticas almejam agora, e de maneira agressiva, as pessoas saudáveis. Os altos e baixos da vida diária tornaram-se problemas mentais. Queixas totalmente comuns são transformadas em síndromes de pânico. Pessoas normais são, cada vez mais pessoas, transformadas em doentes. Em meio a campanhas de promoção, a indústria farmacêutica, que movimenta cerca de 500 bilhões dólares por ano [atualização: hoje, 2010, o valor é de aproximadamente 1 trilhão de euros], explora os nossos mais profundos medos da morte, da decadência física e da doença – mudando assim literalmente o que significa ser humano. Recompensados com toda razão quando salvam vidas humanas e reduzem os sofrimentos, os gigantes farmacêuticos não se contentam mais em vender para aqueles que precisam. Pela pura e simples razão que, como bem sabe Wall Street, dá muito lucro dizer às pessoas saudáveis que estão doentes.

A Fabricação das “Síndromes”

 

Remédios

 

A maioria de habitantes dos países desenvolvidos desfruta de vidas mais longas, mais saudáveis e mais dinâmicas que as de seus ancestrais. Mas o rolo compressor das campanhas publicitárias, e das campanhas de sensibilização diretamente conduzidas, transforma as pessoas saudáveis preocupadas com a saúde em doentes preocupados. Problemas menores são descritos como muitas síndromes graves, de tal modo que a timidez torna-se um “problema de ansiedade social”, e a tensão pré-menstrual, uma doença mental denominada “problema disfórico pré-menstrual”. O simples fato de ser um sujeito “predisposto” a desenvolver uma patologia torna-se uma doença em si.

O epicentro desse tipo de vendas situa-se nos Estados Unidos, abrigo de inúmeras multinacionais famacêuticas. Com menos de 5% da população mundial, esse país já representa cerca de 50% do mercado de medicamentos. As despesas com a saúde continuam a subir mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Cresceram quase 100% em seis anos – e isso não só porque os preços dos medicamentos registram altas drásticas, mas também porque os médicos começaram a prescrever cada vez mais.

De seu escritório situado no centro de Manhattan, Vince Parry representa o que há de melhor no marketing mundial. Especialista em publicidade, ele se dedica agora à mais sofisticada forma de venda de medicamentos: dedica-se, junto com as empresas farmacêuticas, a criar novas doenças. Em um artigo impressionante intitulado “A arte de catalogar um estado de saúde”, Parry revelou recentemente os artifícios utilizados por essas empresas para “favorecer a criação” dos problemas médicos [1]. Às vezes, trata-se de um estado de saúde pouco conhecido que ganha uma atenção renovada; às vezes, redefine-se uma doença conhecida há muito tempo, dando-lhe um novo nome; e outras vezes cria-se, do nada, uma nova “disfunção”. Entre as preferidas de Parry encontram-se a disfunção erétil, o problema da falta de atenção entre os adultos e a síndrome disfórica pré-menstrual – uma síndrome tão controvertida, que os pesquisadores avaliam que nem existe.

Médicos Orientados por Marqueteiros

Com uma rara franqueza, Perry explica a maneira como as empresas farmacêuticas não só catalogam e definem seus produtos com sucesso, tais como o Prozac ou o Viagra, mas definem e catalogam também as condições que criam o mercado para esses medicamentos.

Sob a liderança de marqueteiros da indústria farmacêutica, médicos especialistas e gurus como Perry sentam-se em volta de uma mesa para “criar novas idéias sobre doenças e estados de saúde”. O objetivo, diz ele, é fazer com que os clientes das empresas disponham, no mundo inteiro, “de uma nova maneira de pensar nessas coisas”. O objetivo é, sempre, estabelecer uma ligação entre o estado de saúde e o medicamento, de maneira a otimizar as vendas.

Para muitos, a idéia segundo a qual as multinacionais do setor ajudam a criar novas doenças parecerá estranha, mas ela é moeda corrente no meio da indústria. Destinado a seus diretores, um relatório recente da Business Insight mostrou que a capacidade de “criar mercados de novas doenças” traduz-se em vendas que chegam a bilhões de dólares. Uma das estratégias de melhor resultado, segundo esse relatório, consiste em mudar a maneira como as pessoas vêem suas disfunções sem gravidade. Elas devem ser “convencidas” de que “problemas até hoje aceitos no máximo como uma indisposição” são “dignos de uma intervenção médica”. Comemorando o sucesso do desenvolvimento de mercados lucrativos ligados a novos problemas da saúde, o relatório revelou grande otimismo em relação ao futuro financeiro da indústria farmacêutica: “Os próximos anos evidenciarão, de maneira privilegiada, a criação de doenças patrocinadas pela empresa”.

Dado o grande leque de disfunções possíveis, certamente é difícil traçar uma linha claramente definida entre as pessoas saudáveis e as doentes. As fronteiras que separam o “normal” do “anormal” são freqüentemente muito elásticas; elas podem variar drasticamente de um país para outro e evoluir ao longo do tempo. Mas o que se vê nitidamente é que, quanto mais se amplia o campo da definição de uma patologia, mais essa última atinge doentes em potencial, e mais vasto é o mercado para os fabricantes de pílulas e de cápsulas.

Em certas circunstâncias, os especialistas que dão as receitas são retribuídos pela indústria farmacêutica, cujo enriquecimento está ligado à forma como as prescrições de tratamentos forem feitas. Segundo esses especialistas, 90% dos norte-americanos idosos sofrem de um problema denominado “hipertensão arterial”; praticamente quase metade das norte-americanas são afetadas por uma disfunção sexual batizada FSD (disfunção sexual feminina); e mais de 40 milhões de norte-americanos deveriam ser acompanhados devido à sua taxa de colesterol alta. Com a ajuda dos meios de comunicação em busca de grandes manchetes, a última disfunção é constantemente anunciada como presente em grande parte da população: grave, mas sobretudo tratável, graças aos medicamentos. As vias alternativas para compreender e tratar dos problemas de saúde, ou para reduzir o número estimado de doentes, são sempre relegadas ao último plano, para satisfazer uma promoção frenética de medicamentos.

Quanto mais Alienados, mais Consumistas

A remuneração dos especialistas pela indústria não significa necessariamente tráfico de influências. Mas, aos olhos de um grande número de observadores, médicos e indústria farmacêutica mantêm laços extremamente estreitos.

SíndromesAs definições das doenças são ampliadas, mas as causas dessas pretensas disfunções são, ao contrário, descritas da forma mais sumária possível. No universo desse tipo de marketing, um problema maior de saúde, tal como as doenças cardiovasculares, pode ser considerado pelo foco estreito da taxa de colesterol ou da tensão arterial de uma pessoa. A prevenção das fraturas da bacia em idosos confunde-se com a obsessão pela densidade óssea das mulheres de meia-idade com boa saúde. A tristeza pessoal resulta de um desequilíbrio químico da serotonina no célebro.

O fato de se concentrar em uma parte faz perder de vista as questões mais importantes, às vezes em prejuízo dos indivíduos e da comunidade. Por exemplo: se o objetivo é a melhora da saúde, alguns dos milhões investidos em caros medicamentos para baixar o colesterol em pessoas saudáveis, podem ser utilizados, de modo mais eficaz, em campanhas contra o tabagismo, ou para promover a atividade física e melhorar o equilíbrio alimentar.

A venda de doenças é feita de acordo com várias técnicas de marketing, mas a mais difundida é a do medo. Para vender às mulheres o hormônio de reposição no período da menopausa, brande-se o medo da crise cardíaca. Para vender aos pais a idéia segundo a qual a menor depressão requer um tratamento pesado, alardeia-se o suicídio de jovens. Para vender os medicamentos para baixar o colesterol, fala-se da morte prematura. E, no entanto, ironicamente, os próprios medicamentos que são objeto de publicidade exacerbada às vezes causam os problemas que deveriam evitar.

O tratamento de reposição hormonal (THS) aumenta o risco de crise cardíaca entre as mulheres; os antidepressivos aparentemente aumentam o risco de pensamento suicida entre os jovens. Pelo menos, um dos famosos medicamentos para baixar o colesterol foi retirado do mercado porque havia causado a morte de “pacientes”. Em um dos casos mais graves, o medicamento considerado bom para tratar problemas intestinais banais causou tamanha constipação que os pacientes morreram. No entanto, neste e em outros casos, as autoridades nacionais de regulação parecem mais interessadas em proteger os lucros das empresas farmacêuticas do que a saúde pública.

A “Medicalização” Interesseira da Vida

A flexibilização da regulação da publicidade no final dos anos 1990, nos Estados Unidos, traduziu-se em um avanço sem precedentes do marketing farmacêutico dirigido a “toda e qualquer pessoa do mundo”. O público foi submetido, a partir de então, a uma média de dez ou mais mensagens publicitárias por dia. O lobby farmacêutico gostaria de impor o mesmo tipo de desregulamentação em outros lugares.

Há mais de trinta anos, um livre pensador de nome Ivan Illich deu o sinal de alerta, afirmando que a expansão do establishment médico estava prestes a “medicalizar” a própria vida, minando a capacidade das pessoas enfrentarem a realidade do sofrimento e da morte, e transformando um enorme número de cidadãos comuns em doentes. Ele criticava o sistema médico, “que pretende ter autoridade sobre as pessoas que ainda não estão doentes, sobre as pessoas de quem não se pode racionalmente esperar a cura, sobre as pessoas para quem os remédios receitados pelos médicos se revelam no mínimo tão eficazes quanto os oferecidos pelos tios e tias [2] ”.

ais recentemente, Lynn Payer, uma redatora médica, descreveu um processo que denominou “a venda de doenças”: ou seja, o modo como os médicos e as empresas farmacêuticas ampliam sem necessidade as definições das doenças, de modo a receber mais pacientes e comercializar mais medicamentos [3]. Esses textos tornaram-se cada vez mais pertinentes, à medida que aumenta o rugido do marketing e que se consolidas as garras das multinacionais sobre o sistema de saúde.

(Tradução: Wanda Caldeira Brant) wbrant@globo.com

Bibliografia complementar:

* A revista médica PLoS Medecine traz, em seu número de abril de 2006, um importante dossiê sobre “A produção de doenças” – http://medicine.plosjournals.org/

* Na França, as revistas Pratiques (dirigida ao grande público) e Prescrire (destinada aos médicos) avaliam os medicamentos e trazem um olhar crítico sobre a definição das doenças.

*Jörg Blech, Les inventeurs de maladies. Manœuvres et manipulations de l’industrie pharmaceutique, Arles, Actes Sud, 2005.

* Philippe Pignarre, Comment la dépression est devenue une épidémie, Paris, Hachette-Littérature, col. Pluriel, 2003.

Referências do Texto:

[1] Ler, de Vince Parry, “The art of branding a condition ”, Medical Marketing & Media, Londres, maio de 2003.

[2] Ler, de Ivan Illich, Némésis médicale, Paris, Seuil, 1975.

[3] Ler, de Lynn Payer, Disease-Mongers: How Doctors, Drug Companies, and Insurers are Making You Feel Sick, Nova York, John Wiley & Sons, 2002.

Autores:

Ray Moynihan
Jornalista especializado em saúde (British Medical Journal, The Lancet, The New England Journal of Medicine

Alain Wasmes
Jornalista

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